Toyota e Semler – Quebrando paradigmas
16 de maio de 2007 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |Estou lendo o livro “Você está louco! – Uma vida administrada de outra forma” do empresário Ricardo Semler. Já havia lido o primeiro livro “Virando a própria mesa” e dá para entender o questionamento que o Senador cearense José Macedo fez ao autor, em uma de suas palestras: “Diga-me pois: de que planeta o Senhor aterrisou?”.
Neste livro ele conta causos de sua vida profissional, destacando ainda outros profissionais que usaram de métodos nada convencionais para tocar seus desenvolvimentos profissionais e apesar de centenas de erros – o que é natural do ser humano - conseguiram se destacar e alcançar grandes metas.Estive lendo agora um artigo sobre a Toyota, que ultrapassou e GM e hoje é a primeira montadora mundial. Trabalhei em uma empresa que contratou uma consultoria para aplicar o Processo Toyota, ou seja, – guardada as devidas proporções – a idéia era termos a qualidade como mantra, a simplicidade como processo e principalmente o prazer de trabalhar e observando o método japonês, é fácil perceber que os orientais tem toda a razão, pois os conceitos e processos são simples e eficazes. O consultor na época comentou que os profissionais da Toyota – apesar de tudo, não são perfeitos pois erraram em um planejamento, anteciparam em um ano a conquista do primeiro lugar em sua categoria.
E da mesma forma que o Ricardo Semler apresenta métodos completamente contrários da vida corporativa – dita natural e moderna – a Toyota também quebra paradigmas desta pseudo-modernidade com conceitos tais como o processo lento de tomada de decisões, o planejamento estratégico longo e o conservadorismo para aplicar crescimento dos profissionais dentro da própria empresa.
E isso prova que não existe regra e\ou receita de bolo. Mas na verdade, o ditado do tempo dos meus avós é válido: “O apressado come cru”. Na Toyota, eles levam mais de 4 anos para tirar da prancheta um projeto, esperam efetivamente o melhor momento para promover uma mudança ou lançar um produto e tem como lema uma frase de um dos diretores da empresa: “A lenta – mas mais coerente – tartaruga causa menos perda e é muito mais desejável do que a lebre veloz que corre na frente e pára de vez em quando para cochilar. O sistema Toyota de produção só pode funcionar quando todos os funcionários se tornam tartarugas”. E o principal de todos os fundamentos da Toyota, a meu ver, está descrito no último dos oito mandamentos da empresa, conforme quadro ao lado. Eles olham efetivamente para os desejos e necessidades do consumidor, produzindo carros que seus clientes querem e precisam comprar.
O que está claro aqui é que tanto a Toyota e seus executivos, quanto o Semler provam que não devemos ter medo de ousar e mudar. Regras e paradigmas existem para serem seguidos mas também quebrados. Sei que é lugar comum, mas é simples, como deve ser a vida.
Para saber mais: o artigo sobre a Toyota publicado na EXAME.


