“Telefônica processa blogueiro por calúnia”
3 de agosto de 2007 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |Perceberam que o título está entre aspas? Bem, ele é só para chamar sua atenção mesmo – não aconteceu – mas é bem capaz que um dia um título como este seja publicado sem as aspas.
Ok, vou falar mais uma vez sobre a responsabilidade do blogueiro, mas antes disso, citar de novo mais uma vez, sobre o poder de um canal de comunicação. Um grande exemplo disto (e talvez o primeiro hoax registrado) foi Orson Welles com sua transmissão dramatizada via rádio, de uma “invasão extraterrestre”. Isso fez ele ganhar fama e sucesso, mas imagina o pânico e os problemas que ele gerou.
Não temos como negar que os blogs, principalmente os feitos por pessoas comuns como eu e você, vem ganhando força pelo simples fato do ser humano gostar e precisar de se relacionar e consumir informação. Um blog é feito por uma (ou mais) pessoa(s), a opinião é pessoal, o tratamento é direto e isso por si só já agrega um valor fantástico para este canal de comunicação. Somado a isso, temos a velocidade - o que é postado agora, na mesma hora é linkado, comentado….os blogs são organismos vivos!
A confiança é conquistada pelas atitudes
Pensando de forma simplista, se um amigo meu, bem chegado, cara bacana e que confio, me conta um caso – é claro que vou acreditar. Isso acontece com o poder do relacionamento e a facilidade de acesso que os blogs possuem, pois na blogosfera não tem anonimato, sabemos “quem é” que está falando. E confiança é conquistada, através de atitudes.
Basta você pensar num relacionamento entre casais. Quando se perde a confiança, é muito difícil conquistá-la. E isto é espelhado em quaisquer outras situações – você confia na polícia? nos políticos? nos bombeiros?. No meu caso, respoderia não, não, sim.
Sobre isso podemos citar o que acompanhamos nestes dois ou três últimos dias na blogosfera. Começou com uma “notícia” do Cardoso com o título bombástico “Apagão da Internet: Orkut vai sair do ar!”, e linkava para uma matéria no Terra. Lendo os comentários fica claro que se trata de uma “notícia” para movimentar a blogosfera e muitos brincaram com o tema, dizendo que teriam “caras pintadas nas ruas”, numa alusão a uma possível confusão promovida pela falsa informação.
Depois disso, a Nospheratt publicou um repúdio em seu blog com o título “Contraditório Nada, O Cardoso é um Irresponsável Sem Noção” falando que leu a info do apagão da web e acreditou e só foi perceber depois que se tratava de uma falsa informação. Ela foi dura na crítica, visto que confiava no que o Carsoso escrevia [atualização: leia os 2 primeiros comentários no final deste texto antes de continuar, obrigado] - lembra do 4° parágrafo deste post?. Em seguida o Cardoso publica um belo texto sobre credibilidade, com o título “Credibilidade em excesso faz mal” e até agora já existem 42 comentários.
Até aqui, ler todos os textos e comentários só vem enriquecer o processo de formação de opinião. Não questiono o que foi escrito, tudo é opinião – concordem ou não – e todos nós somos instigados a desenvolver nossa capacidade de reflexão e questionamento. O próprio Cardoso diz que quer ser questionado, não é dono da verdade – claro que não é. Sim, estamos na blogosfera para colocar a cara para fora e com isso estamos sujeitos a toda e qualquer sorte de entendimento do que escrevemos.
A questão aqui é que por mais que seja “engraçado” criar informações bombásticas e esperar para ver os “salsinhas” pipocando e discutindo sobre algo, aumentando o tráfego…essa brincadeira fica séria, se pensarmos com a cabeça do Orson Welles…
Voltando ao título deste post
Um parênteses: Ricardo (Salada Digital), me perdoe por usar este seu post como exemplo, mas não pude deixar de usá-lo. Gosto do que você escreve e sou assinante de seu feed, mas sinceramente o risco que corre ou correu é fato…vou explicar…
Nos comentários do último post do Cardoso, vi o link para o Salada Digital com o título “Telefônica interrompe serviço de banda larga no país”. Como todo bom ser humano curioso, somando o fato de ser profissional de comunicação e ainda porque ontem mesmo vi pessoas em lista de discussão reclamando de problemas de acesso via Speedy da Telefônica, cliquei e fui ler.
Abria com um link para uma (pseudo)matéria no Folha OnLine - que na verdade não levava para lugar nenhum – e no texto citava inclusive uma nota da Telefônica. É claro que com senso crítico e somando 1+1, deu para chegar a conclusão rápida que era mais uma “brincadeira”, até para somar a discussão que estava fervendo sobre credibilidade.
Siga meu raciocínio agora:
1. Algumas pessoas tiveram ou estão com problemas de acesso via Speedy (todos sabemos que os maiores índices de reclamação e processo no Procon são das empresas de telefonia e acesso a web)
2. O Blog é bem lido e a web é rápida
3. Quem não tem o senso crítico apurado mas tem pavio curto e é usuário da empresa, distribui esta informação e como está com problemas com a Telefônica até a tampa, passa a mão no telefone e fica horas tentando o 0800 deles
4. Como a web é rápida e um canal aberto, uma pessoa da própria Telefônica acessa o blog
5. Por acaso, esta pessoa percebe um número grande de consulta ao SAC sobre o fato da empresa acabar com o seu acesso de banda larga (uma conclusão sobre o que está escrito, feita por aqueles que não leram com atenção)
6. Esta pessoa da Telefônica vai até a sala do jurídico e lê junto ao advogado a afirmação no blog e a opinião do editor: “Portanto se a Telefônica oferecer Speedy para você nos próximos dias, não aceite, você pode até assinar, mas o serviço ninguém garante, diz um importante chefe do setor”.
7. Está registrado, publicado e portanto o blogueiro é alvo de um processo de calúnia, pois tudo aquilo se trata de uma informação falsa, apenas para “brincar” na blogosfera.
Aí está a grande questão da responsabilidade que deve ser condição de qualquer pessoa que publica informações em um canal de acesso público e rápido.
Tudo bem, você acha que eu fantasiei e estou criando cabelo em ovo, pode até ser. Mas se você pensa assim, não acredita que a blogosfera é realmente um novo meio de comunicação, que está crescendo e evoluindo, que ainda ninguém sabe o que é realmente, onde vai chegar…e mais, você concorda com o Estadão quando diz para as pessoas não acreditarem em informações vindas de blogs…
A blogosfera NÃO é um nicho, NÃO é uma sala fechada que só entra para ver, ler, ouvir quem tem crachá…pense nisso.



E onde fica a responsabilidade de um blogueiro que retira informação de contexto, para adaptá-la ao seu argumento? Ou que não lê todo um texto antes de afirmar qual é o teor dele?
Uma das duas coisas você fez. Se não está tirando a informação de contexto, então não leu meu post. Pois eu escrevi aqueles primeiros parágrafos criticando o Cardoso, como forma de chamar a atenção e mostrar a forma como a maioria das pessoas encara o assunto. Logo depois, eu expressei meu verdadeiro ponto de vista – falei da responsabilidade do leitor. Ou seja, o que eu escrevi na realidade não é nada do que você deu a entender aqui, mas praticamente o contrário.
E agora? Onde está a sua responsabilidade?
Nospheratt, vc tem razão em afirmar que faltou eu informar que a sua crítica ao Cardoso fazia parte do início do texto e que realmente vc colocou a responsabilidade do leitor como foco do post. Erro meu, concordo com vc e me perdoe por isso.
Mas a minha responsabilidade continua valendo sob forma de alertar que criar informação para “brincar” com quem quer que seja – salsinhas, cebolinhas, etc – é um risco.
Não levanto a bandeira da moral e bons constumes na blogosfera, até porque sou um ser humano como qualquer outro, erro..(como vi que errei aqui).
E é claro, que no mundo tem espaço para todos e na blogosfera tbm, para os que fazem diários virtuais, para os que inventam informações e para os que só escrevem o que pensam.
De qualquer forma, sinceramente, o que mais me atrai na blogosfera é esta capacidade de trocarmos idéias, on line, real time, para qualquer pessoa ler…
Obrigado pela sua visita e questionamento e mais uma vez, me desculpe pela falta da informação sobre seu post.
É por estas e outras razões que em postagens deste tipo eu prefiro me excluir,sabemos mais que ninguém do potencial que a internet e o blogs(sejam eles corporativos ou pessoais)estão assumindo,existe muita informação e conteúdo confiável espalhados pela rede,mas as vezes o pessoal exagera na criatividade.
Ricardo, considere-se desculpado.
O que eu penso é exatamente isso: ninguém está livre de errar, de meter o pé na boca. Eu disse isso no post de ontem.
Enfim, espero que você não me leve à mal; eu escrevi à respeito disto. E devo dizer que sua resposta alterou substancialmente o teor do meu post!
Enfim, trackback manual:
A Semana em que os Blogueiros Viraram Salsinhas
Minha porta está aberta para continuar a discussão.
Olá Ricardo, tudo bem?
Quanto a ser processado, acho que não só pela Telefonica mas também pela Folha rs… mas sabe porque isso seria impossivel? Meu blog não tem essa “influência” não é uma questão de responsabilidade, mas do blog ser conhecido na internet, aí a brincadeira ficaria mais séria, e sim eles se preocupariam em me processar, talvez. Mas quantas noticias falsas foram colocadas em blogs com muito mais “influencia” durante todos esses tempos?
Como você realmente percebeu meu post foi motivado por toda essa discussão: “credibilidade do blogueiro” aliado aos problemas recentes de acesso da Telefônica, queria brincar um pouco. Mas o leitor chegaria a conclusão que é na verdade uma brincadeira de minha parte, até porque a maioria chegou pelo artigo no blog do Cardoso. Você viu que não citei nomes, o que em uma noticia desse tipo seria indispensavel creio eu. Isso porque eu não coloquei, os maiores provedores junto ao grupo, Uol e Terra ainda não se manifestaram.
O final parece mais um contratado na NET induzindo o leitor à fugir do Speedy, não? mas concordemos, não deixa de ser verdade o que eu disse, afinal a qualidade do serviço da Telefonica deixa muito a desejar.
Mas eu concordo quando você diz que a internet é uma bola de neve, uma informação falsa vai crescendo podendo tomar proporções gigantescas, transformando uma falsa-noticia-em-quase-verdade.
De qualquer forma eu já acabei com a brincadeira e mudei o contexto, dá uma olhada.
Obrigado por ler meu blog, se bem que agora estarei dando um tempo com isso.
Abraços!
Aloha Pessoas!
Acompanhando este imbroglio, agradeci o “lado positivo” da questão.
Creio que caibam algumas questões:
- um processo por difamação, ou calúnia, não sei qual (que meu consultor jurídico não leia isso), depende APENAS do interesse da pessoa (entidade) atingida, mesmo que não tenha um efeito maior;
- Não sei quem sabia da verdade antes, mas as reações variaram, e nem sabemos quem realmente teve alguma intenção danosa, embora mesmo que das boas o Inferno esteja cheio;
- O POST do Cardoso continua válido, mesmo que a notícia e os números que aparentemente serviram de base não fossem verdadeiros;
- Nospheratt citou Cardoso e levantou nossa responsabilidade. Mas teria ele sido também ludibriado e a reação dela em seu blog exagerada?;
- O quanto notícias falsas, que provocam todo este conjunto de comentários é bom? Quem realmente gosta desse tipo de coisa?;
- Pegadinhas? Video-cassetada? Já passei desta fase, no século passado ,por sinal, mas… se as pessoas gostam, se “existe mercado”, isso é bom ou ruim?
- Para que estamos aqui?
- De onde viemos?
- Para onde vamos?
- “Por que a luz apaga quando eu fecho a geladeira?”
Grandes mistérios do universo, mas… “esta viagem é realmente necessária”?
Aloha a todos!
Creio que atribuir à responsabilidade – real – do leitor seu devido peso, não exime o editor de blog das toneladas de responsabilidade que, eticamente, carrega. Justamente porque ninguém está acima do bem e do mal, enganar as pessoas, seja qual for a objetivo é o fim. Não é assim que se educa.