O valor da informação colaborativa.
13 de maio de 2008 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |Sabe aquela máxima do Tostines, que diz que “é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho”? Para mim é certo que ela se aplica a centenas de realidades em nossas vidas pessoais e profissionais. Mas vamos nos ater as mídias sociais. Estes canais atraem mais audiência porque tem conteúdo ou porque tem conteúdo atraem mais audiência?
Com esta “dúvida” na cabeça e um teclado nas mãos, somado a um texto que recebi da Samantha Shirashi – que apresentava uma avaliação do Mario Lima Cavalcanti, diretor executivo do Jornalistas da Web, sobre 5 grandes portais de notícias do mundo – resolvi realizar uma pequena pesquisa para poder entender e me ajudar a formar uma opinião.
E claro, no conceito da colaboração, quem sabe ajudar você a pelo menos refletir e trocar comigo e com os demais leitores deste blog algumas informações e praticarmos efetivamente o valor da informação colaborativa.
Formulei 3 perguntas e enviei para algumas pessoas de diversos segmentos profissionais. Juro que foram muitas, mas creio que minha capacidade de atrair a atenção está baixa, pois apenas 6 profissionais responderam. Mas independente do número, a qualidade das respostas e principalmente das pessoas manteve alta a minha auto-estima.
Portanto, as fontes de formação do meu raciocínio foram: Jobson Lemos – Jornalista e agitador das mídias lucrativas sociais; Samantha Shirashi – jornalista e profunda pesquisadora do conteúdo perfeito; Ceila Santos – jornalista e estudiosa das mídias sociais; Monica Santanna – também jornalista e sócia da NQM, empresa de comunicação, Alexandre Bastos – professor da Universidade Positivo e Daniela Falcão – profissional especializada em estratégias de relacionamento.
A primeira pergunta que fiz foi: “As pessoas estão em busca de informação, quanto mais segmentada e confiável é melhor, claro. Na sua opinião, qual o critério que uma pessoa usa para identificar qualquer canal de informação, seja on line ou off line (livros inclusive) como o ideal para seu perfil ?”
Não obtive um consenso, pelo contrário. O Jobson afirmou que a escolha é por identificação com suas próprias crenças e indicação de pessoas do seu grupo de convívio familiar e\ou profissional. Com outras palavras a Samantha concordou com ele, quando ela respondeu que “as pessoas buscam nos veículos o reflexo de suas idéias”. Já a Mônica Santanna afirma que busca informação pela credibilidade do autor. Agora a Ceila Santos, o Alexandre Bastos e a Daniela Falcão me surpreenderam, pois cada um tem um perfil profissional diferenciado mas conduziram o mesmo raciocínio de que não existe um padrão de escolha do perfil adequado para uma informação segmentada, dependendo muito do momento em que se encontram e da necessidade atual de cada um.
O segundo questionamento que fiz, com foco na velocidade e quantidade de informação a qual somos bombardeados diariamente, foi: “O que é mais consumido, informação curta e atual para ser “usada” no dia-a-dia, ou informação longa do tipo conhecimento ?”
Neste caso a resposta comum a quase todos foi que os dois formatos de informação propostos na pergunta são consumidos de maneira igual, o que difere é o tipo de público. O Jobson, com sua inteligência e acidez disse que as duas são interdependentes, que sem a primeira (a curta) o indivíduo é alienado e sem a segunda (a longa) o mesmo é analfabeto fuincional. Outra coisa que foi afirmada em quase todas as respostas foi que o uso da informação curta, aquela que nos resume e nos dá uma visão generalista do que está acontecendo, se dá pelo fato de não termos tempo e o Alexandre expôs algo que faz todo o sentido, principalmente em se tratando das mídias colaborativas, onde temos uma multiplicação de fontes de conteúdo e informação. Ele afirma que “como a quantidade de informação disponível e meios aumentou, as pessoas tendem a acessar mais a informação, o que gera o comportamento de “pula-pula” atrás do que interessa. E como o tempo é um fator limitado, tendemos a fracioná-lo mais hoje em razão da disponibilidade maior de “portos” em que podemos atracar“.
A terceira e última questão, real razão e objetivo deste raciocínio colaborativo foi: “Na sua opinião bem pessoal, qual o real valor de se disponibilizar e compartilhar uma informação ?”
Aqui aconteceu uma situação interessante. O grupo de jornalistas afirmou de forma categórica que o valor de se disponibilizar uma informação está na troca, focada no crescimento próprio e de quem tem acesso a mesma. Muito natural, já que um jornalista precisa “soltar” informação pois faz parte da própria existência da profissão. A Daniela, que é heavy-user da Internet, mas não envolvida nas mídias sociais afirma que, na posição de consumidora de informação, o fato de encontrar centenas de conteúdos na web de forma gratuita, a ajuda e muito em sua atividade profissional e nunca imaginou “pagando por informação”.
A minha conclusão
Cada dia que passa, cada experiência adquirida, chego a conclusão que não existe mais um padrão comum para se fazer comunicação e com isso gerar resultados. Qualquer ação que se proponha segmentar uma comunicação e que tenha obtido resultado positivo não pode ser usada na íntegra como benchmark, visto que mesmo que se trate de um mesmo perfil de público-alvo, o “momento” daquele público – e da sociedade em geral – modifica toda e qualquer estratégia.
O que estava atrás, quando imaginei estas perguntas foi exatamente o que afirmei no início, ou seja, será que os novos canais de mídias sociais estão atraindo tantas pessoas por conta do volume de informações “soltas”, curtas e gerais – que promovem que o indivíduo economize tempo se mantendo “informado” do que acontece – ou o volume de pessoas acessando os blogs, rede sociais, podcasts, etc provoca que os editores deste canais gerem informações do tipo drops para saciar as necessidades deste público?
Creio que não temos esta resposta ainda, mas certamente, pelo menos para mim, este exercício de raciocínio validou o que já vinha percebendo, que qualquer pessoa que suba em um palco para afirmar que isto ou aquilo é o que dá certo – dentro do universo das mídias sociais – não pode ser levado a sério. E entendo que bem provavelmente não teremos um livro que defina ou apresente “como ter sucesso com um blog”, pois com a multiplicidade de públicos em centenas de situações e realidades diferentes derruba qualquer teoria.
O que mais vejo como correto é o que já afirmei algumas vezes, de que as nanomídias, aqueles canais de comunicação e relacionamento com pequenos mas seletos grupos de pessoas são muito poderosos e que os profissionais de comunicação e marketing terão que procurar entender, conhecer e utilizar um número grande destes canais para se fazer “massa” e obter os resultados esperados.
Agora, para finalizar, o verdadeiro valor da informação é quando podemos efetivamente fazer uma pessoa pelo menos refletir, pensar, raciocinar e tornar a vida dela um pouco melhor do que está hoje, seja provocando uma mudança de postura quanto evitando um erro pela simples falta de informação.
Isto para mim é muito valioso. E para você?


