O Plin-Plin de um blog é válido. Desde que…
19 de novembro de 2007 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |
Em agosto quando foi realizado o primeiro BlogCamp, em São Paulo, o tema que ficou em alta foi a discussão sobre a credibilidade dos blogs, visto que o jornal Estadão havia entrado com uma campanha afirmando que só ele era capaz de gerar informação confiável e usou os blogs de forma negativa, como referência para “validar” sua informação.
Todos sabemos a repercussão que o assunto provocou, fazendo inclusive que o Diretor de Criação da tal campanha viesse “a público” explicar a idéia, etc etc etc.
Creio que o tema evoluiu e foi somado a ele o uso de espaços nos blogs – mais precisamente o conteúdo gerado – como forma de mídia. Sim, este é mais um texto sobre “Post Patrocinado”, mas vou tentar desenvolver um raciocínio, quem sabe já sendo um pré-esquenta para o BlogCamp – PR (Paraná) 10.
O princípio do raciocínio.
Não temos como negar que um blog, estando na web e tendo conteúdo gerado de forma constante e dinâmica é um canal de informação, e por conta disso é também um canal de comunicação. Se formos mais além, e “forçarmos a barra” podemos até imaginar que se trata de um canal de mídia.
Seguindo com o raciocínio, temos diferentes tipos de blogs. Existem aquele despretensiosos, onde quem o mantém apenas usa o espaço público para expressar suas idéias; temos aqueles que são usados para desenvolver a capacidade comunicativa de quem escreve; existem os blogs feitos para gerar e\ou publicar temas polêmicos e atrair a atenção a qualquer custo; encontramos blogs de profissionais que usam o canal para se apresentar e posicionar no mercado e por fim, blogs que são canais corporativos, ou seja, empresas que o usam para se relacionar com seu mercado.
Esqueci de algum tipo? Me diga através dos comentários que faço a atualização deste texto. Mas independente de algum rótulo, é bem sabido que vivemos em um mundo capitalista e que se temos alguma oportunidade de juntar o vil metal, uma grande maioria dos blogs o fará.
Troca de experiências
Como relatei no texto “Decisão de compra é tomada no ambiente virtual“, e ainda somado ao estudo realizado pela E-LIFE, chamado “Eu quero comprar“, realizado com base no monitoramento dos “desejos e intenções de compra da blogosfera brasileira”, fica realmente cada vez mais claro que dentre diversos canais, o blog é um espaço de consulta de opiniões alheias.
É através de um blog – sendo ele realmente um, com atualização constante, espaço de interação e dinâmico – que os internautas buscam as mais variadas informações e trazendo para o âmbito do consumo (seja ele de produtos, cultural, educacional, serviços, etc) é um excelente espaço para encontrar e trocar experiências.
Ou seja, perguntamos para pessoas que não conhecemos o que elas acham sobre determinados assuntos e com isso formamos a nossa opinião.
Mais um elemento para o raciocínio
Na história da humanidade sempre houve e sempre haverá manipulação da informação. E infelizmente raramente saberemos se efetivamente alguém gerou uma informação para benefício de poucos e se mesmo a denúncia de que isso ocorreu é verdade.
O mesmo se aplica a credibilidade de um indivíduo. A mesma é construída principalmente com informação ou pelo contato – conversas, troca de visões, debates. Se a pessoa é pública ela deve construir sua reputação e credibilidade com atitudes, atividades e posição, sendo que as mesmas nos chegam através da informação – naturalmente através da mídia.
Se é um colega de trabalho, um vizinho, paquera, a credibilidade é construída com o bate-papo e a convivência quase que diária.
Bloguidificador
Agora pegue isso tudo e vamos tentar desenvolver o tema, não para gerar uma lei blogosféria, mas para efetivamente ajudar aos milhões de blogs e internautas brazucas a formar a opinião sobre este novo canal de comunicação e relacionamento.
Este texto foi inspirado num que li no Blog de Guerrilha, chamado “Post pago com meu salário“, assinado pelo Wagner. Ele faz uma defesa sobre o que é uma ação de guerrilha como estratégia de comunicação – o que concordo com o que está impresso lá sobre isso, e aproveita o caminho para reforçar a sua opinião sobre um blog escrever algo patrocinado.
Ainda não existe uma verdade absoluta sobre o tema post patrocinado, e nem creio que haverá. Por isso que não concordo com a afirmação do Wagner de que “eles diminuem sim a importância de um blog a longo prazo. E também prejudicam todo o “ecossistema” de blogs ao seu redor, minando pouco a pouco a credibilidade e isenção “da categoria”.
Já acompanhei algumas ações de guerrilha e uma delas, de uma empresa de um amigo no Rio de Janeiro – Biruta Mídias Mirabolantes – era para divulgar um produto para asma de um laboratório farmacêutico, e como sabem não pode fazer propaganda de determinados produtos.
Pois bem, a ação era uma “passeata” com pessoas reclamando que queriam respirar, com cartazes, máscaras de oxigênio, etc…e todas vestidas nas cores do tal produto. Mas não citavam o tal produto muito menos a marca. Se não em engano, no dia seguinte uma série de matérias sobre a descoberta de um novo produto que prometia melhorar a vida dos asmáticos estava circulando.
Ou seja, uma empresa pagou para uma outra empresa para gerar um buzz no centro da cidade do Rio de Janeiro -imagina uma passeata em plena Rio Branco ás 18 horas! – mas sem dizer do que se tratava.
Me arrisco a comparar esta ação a um post patrocinado, para afirmar a minha posição de que uma empresa pagar para um blogueiro falar sobre seu produto ou serviço, não derruba a credibilidade do mesmo, da mesma forma que não derrubou a credibilidade da Biruta, pelo contrário. Eu vi aquela empresa nascer e hoje é uma quase potência.
A vitamina disso tudo
Como o Alessandro Martins já citou, o post pode ser pago, mas a opinião do blogueiro não. E isso só será minimizado com um conjunto de fatores: o blog ser do tipo que trata os temas de forma responsável, a opinião do blogueiro for justa e coerente com suas práticas e se tiver uma troca franca e aberta com seus leitores.
Por isso entendo que dá para existir um “plin-plin” dentro de um blog, em se tratando de um texto falar sobre uma empresa, seu produto ou serviço, sendo paga por ela para isso acontecer. Desde que o blogueiro seja ético e a empresa corajosa a ponto de apostar na opinião do mesmo para melhorar seu produto ou serviço e colher informações interessantes que talvez não teria em uma pesquisa tradicional.
E vislumbro que as agências e empresas vão acabar incluindo blogs em seus planejamentos de mídia e relacionamento. Creio que isso seja inevitável, da mesma forma que será inevitável que continuem existindo uma série de tipos de blogs, com alguns focados nos mais variados assuntos.
A grande diferença – e vantagem de alguns blogs – será a forma como o editor ou editores se relacionam com seus leitores, trocam informações com eles, sabem o que querem ler e tem firme a sua opinião sobre os temas discutidos.
E olhando para o quesito relacionamento, porque o Dinheirama não pode ser pago para falar das boas taxas de juros de uma financeira? Porque que o Velocidade não pode dar uma volta num automóvel com freios especiais e dizer o que achou, sendo pago por isso? Porque o Papo de Homem não pode ser pago para dar dicas de como jogar Poker? Porque a Garota sem Fio faz tanto sucesso dando sua opinião sobre celulares, pdas, etc?
Tenho certeza absoluta de que seus leitores não acharão nada mal, saber que tiveram seu tempo poupado, lendo sobre a real experiência de um profissional que ele admira e lê normalmente.
Continuando o raciocínio.
Como disse antes, não há ainda uma verdade absoluta sobre o tal post patrocinado, e é bem melhor que não exista, mas creio que devemos ter vários pensamentos confrontados, pois o que estamos vendo é uma grande onda de novos negócios, tirando profissionais do anonimato e trazendo novas formas de gerar comunicação.
Sendo assim, além dos blogs citados aqui, gostaria de ler as opiniões sobre este assunto, continuando o raciocínio…



Cabianca, esse foi um puta debate aqui no Blogcamp BH. E tem sido em todos os outros blogcamps pelo que escutei.
Tanto que o pessoal não está aguentando mais falar em monetização.
Agora, a chave pra isso é transparência.
O post ser patrocinado afeta algo? Afeta, óbvio, não seria hipócrita a ponto de negar.
Mas é uma questão de responsabilidade, e de confiança na capacidade do leitor de absorver a informação.
Se eu fiz propaganda de um produto, é porque gosto dele. Isso não obriga ninguém a comprar.
Agora, se quiserem acabar com a festa e doar dinheiro pra eu escrever, ótimo. Nunca mais vou precisar fazer post patrocinado.
Mas acho que os comunistas da blogosfera não iriam doar. Mcdonalds anda caro esses dias, e a turma purista gosta de comer bem.
ps: layout novo melhorou