O marketing de relacionamento e a fidelização na Pirataria.
28 de setembro de 2007 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |
Como toda sexta-feira, uso o conteúdo da revista CartaCapital, atualizado neste dia, para servir de inspiração e dar minha visão e contribuição voltada para o segmento deste blog, ou seja, informações, análises e estratégias de comunicação e marketing com foco no consumidor.
E – ao contrário da semana passada – hoje uma matéria muito interessante está estampada na home do site da CartaCapital.
“Satisfação garantida“, escrita pelo João Marcello Erthal, traz uma excelente visão sobre o comércio de produtos em centros onde a pirataria é amplamente praticada sem o menor controle.
Erthal cita na matéria o lançamento do filme “Tropa de Elite”, que antes de aparecer nas grandes telas e muito menos nas locadoras, já é comercializado com requinte nas ruas do Rio de Janeiro.
Inclusive uma espécie de trilogia, onde os “vendedores” oferecem “Tropa 1, 2 e 3, ficção, documentário e realidade”, gritado por todos e atraindo a atenção de quem passa na rua.
Mas o interessante é que sem o “sócio” que leva 40% do resultado de uma empresa – e não faz nada para promover a mesma – os camelôs aplicam facilmente todas as estratégias do varejo para conquistar seus clientes.
Como citado na matéria, os piratas praticam ações estratégicas como Cartão de fidelidade, assistência técnica, recompra de aparelhos usados, troca imediata se apresentar defeito e caso o cliente não goste do que comprou. Inclusive com margem para negociar a forma de pagamento (aceitam cartão de crédito) e até valores bem diferenciados para volumes.
E com ações promocionais do tipo “Compre 10 e o 11° é por nossa conta”. Uma das “corporações”, chamada Games em Geral oferece um cartão ao comprador, seguido do texto falado, olho no olho do consumidor: “Cada vez que você compra, ganha uma assinatura minha. Com dez assinaturas, o próximo DVD de jogo é grátis. Só não vale pra filme, por enquanto.”.
É óbvio que isso tudo é um crime e prejudica efetivamente quem segue a cartilha empresarial, pagando todos os impostos (ou quase todos) e tendo o governo como “sócio”.
O fato é que seria muito mais divertido, organizado e saudável, se efetivamente a parte do governo fosse bem menor e com isso, mais indústrias e empresas de varejo poderiam ser criadas, oferecendo mais alternativas para o consumidor.
E ainda, está provado que o profissional brasileiro é capacitado e criativo. Imagina se realmente todos nós tivéssemos mais motivação e apoio real?



Marketing
Tentei capturar alguma sutileza artística no rótulo de um pote de azeitonas e não pude deixar de perceber que quem o criou, projetou tão bem as azeitonas do desenho que se parecem mais apetitosas do que aquelas que posteriormente degustei. Só não destaquei aquele rótulo pelo medo que senti de tornar-me um colecionador.
Tudo virou arte e a embalagem nova da rapadura acaba de ganhar o prêmio de design do ano. Um engenhoso proprietário de supermercado já pode até cobrar 10% a mais ao vender os seus produtos para pagar o “imposto sobre embalagem artística”. O governo já deve estar de olho na beleza dos rótulos. Todos aqueles produtos supérfluos que enfeitam as prateleiras do supermercado proporcionam ao crítico de arte moderna grande satisfação. Um supermercado é uma estupenda galeria de arte. Ali você encontra arte impressionista, expressionista, cubista, realista, abstracionista e “nadista”. De tudo que um supermercado vende o que me parece de mais utilidade é o papel higiênico – ele sim é uma das mais sábias invenções da humanidade.
A mulher, que é o bicho que mais se enfeita também é o bicho que mais enfeita. Você encontra fêmeas carnudas no sabonete, na cerveja, no leite em pó, na caixa de biscoitos e no papel do chiclete. É comum se ouvir dizer que a mulher movimenta a economia, que ela compra tudo, gasta o que o marido tem com o necessário e o que ela ganha com o dispensável (ou será o contrário?). Não se coloca marmanjos em rótulos: salvo aquelas exceções em que pingüins com rostos femininos aparecem fazendo poses que envergonha a nós dez – os últimos machistas.
Os designers têm trabalhado tão bem os rótulos e fachadas que eu estou comprando sabonete somente pela beleza da embalagem e esqueci até que utilidade um sabonete pode ter. Outro dia me flagrei comendo um cartaz que anunciava a nova novidade em chocolate.
E por falar em papel higiênico a indústria tem trabalhado um modelo novo: é perfumado, suave e tão especial e avançado que você sente vontade de defecar só em vê-lo na prateleira.
Wandecy Medeiros: “E os Vermes Tinham Razão…”
Wandecy Medeiros fez um bom texto sobre o marketing e o design e conseguiu dizer tudo o que eu penso, mesmo que de forma surreal, em poucas palavras.