No Mercado: Empreender com Linux: uma história de inovação
8 de setembro de 2010 | Publicado por No Mercado | Arquivado em Bizonline, No Mercado |
Esta semana, Linus Torvald, criador do Linux, esteve em São Paulo na LinuxCon e declarou que seu objetivo sempre foi criativo, não capitalista, e que, por isso, mesmo que a tecnologia fique com uma parcela dos clientes e receitas dos concorrentes, o Linux não tem inimigos.
Aproveito para publicar uma conversa que tive com Osvaldo Santana Neto, empreendedor de Curitiba, Paraná. Ele usa e abusa do Linux, ganha dinheiro e ajudou a definir rumos de um mercado em ascensão, sem ignorar totalmente as plataformas proprietárias.
Como tudo começou? Qual é o contexto da sua trajetória?
“Eu e meu sócio somos ex-funcionários da Conectiva e trabalhamos com desenvolvimento Linux desde 1999. Apesar de, hoje, usar um Mac o nosso trabalho é quase todo feito em Linux e para Linux (rodando em provedores cloud). Também trabalhamos muito com desenvolvimento embedded e mobile pra Linux (a plataforma Maemo/MeeGo da Nokia roda Python por minha causa).
Para ser honesto, fizemos apenas 1 projeto em Windows em toda a história da Triveos (e somos membros do Microsoft BizPark). A nossa associação ao BizPark se deu porque queríamos avaliar o uso de Silverlight em nossos produtos e porque conheço a Silvia Valadares do Microsoft SOL desde o tempo em que trabalhamos juntos no INdT de Recife”.
Há quanto tempo você criou a Triveos?
Deixei o meu emprego no INdT (Instituto Nokia de Tecnologia) em Recife para fundar a Triveos em maio de 2008. Eu tinha uma idéia para uma aplicação web para gestão de micro e pequenas empresas (CRM, ERP, BI, etc) que vinha martelando em minha cabeça desde 2001. O problema é que eu não conseguia pensar em soluções para alguns problemas que eu esbarrava sempre que tentava levar o projeto adiante.
Enquanto trabalhava no INdT eu comecei a estudar sobre Web Semântica e encontrei ali algumas soluções para esses problemas e, enquanto estava em Recife, iniciei o planejamento da empresa e de como eu viabilizaria a execução desse projeto.
Acumulei algumas reservas financeiras, retornei para Curitiba (onde tenho uma casa própria) e comecei a trabalhar no desenvolvimento deste projeto dedicando metade do tempo disponível pra ele e a outra metade para atender a alguns clientes. Os projetos desenvolvidos para esses clientes financiavam o desenvolvimento do nosso produto.
Mas aí veio a crise econômica e eu “amanheci” sem nenhuma receita e ainda sem o projeto pronto. Os clientes debandaram ou ‘recolheram’ por conta das incertezas daquele momento. E eu passei a viver com as minhas “reservas” de segurança.
Foi quando eu soube do PRIME da FINEP e resolvi submeter o meu projeto que foi aprovado. Com isso (e mais alguns clientes que foram reaparecendo) nós estamos conseguindo seguir com a Triveos.



