Falem bem, mas falem de minha marca!
20 de março de 2007 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |Qual o verdadeiro limite dos criativos e estrategistas de marketing? Creio que a resposta mais simples para isso seria avaliar com extremo bom senso o que devem fazer para conseguir atenção para a marca ou produto que precisam vender.
O problema é que a necessidade de vender, e principalmente a falta de atenção faz
com que algumas ações de marketing e comunicação ganhem o valor contrário do objetivo, ou seja, o ponto negativo atrelado a marca. A máxima de “falem mal, mas falem de mim” não é uma estratégia ideal, nem para marca nem para a própria pessoa.
Uma matéria publicada na Exame, pelo Daniel Hessel Teich apresenta algumas estratégias que demonstram exatamente o limite da criatividade. Ele cita algumas ações, como a de uma agência norte-americana que “ressucitou” uma pessoa conhecida naquele país, por meio de computação gráfica e que a repercussão foi desastrosa, onde 82% dos consumidores reprovaram a campanha.
O autor dá também uma passada pela estratégia da Red Bull no acidente do Metrô de São Paulo, mas a empresa se justificou colocando a “culpa” nas promotoras, que tomaram a iniciativa de distribuir o produto no “buraco”…simples não é? E finaliza com a memorável história do fotógrafo italiano Oliviero Toscani que trabalhava para a Benneton, onde inciou com fotos lindas e correu para fotos provocadoras que gerou problemas para a empresa, a ponto de um dos maiores varejistas – a Sears – deixar de vender os produtos da marca, além de uma centenas de processos e indenizações.
A Dove, reconhecida atualmente como uma empresa bem posicionada no relacionamento com seus consumidores, teve um filme rejeitado pelas emissoras de TV dos EUA, onde para apresentar um produto voltado para mulheres acima de 50 anos, mostrava senhoras “nuas”. O filme é simples e bem produzido, mas este “detalhe” fez com que pela primeira vez, uma campanha da Dove fosse mal falada. E só teve 2.000 acessos no You Tube
Particularmente, não creio que a campanha da Dove seja de mau gosto, mas é certo que antes de colocarmos uma idéia em prática, é condição principal que avaliemos todos os pontos a favor e contra. Por isso que não é nada fácil ser um estrategista ou criativo, uma idéia excelente pode ser um atestado de óbito para a marca.
Portanto, deixe de lado a velha e errada máxima do “falem mal mas falem de mim”, ela não se aplica a nossa vida cotidiana e não traz nada de positivo. O melhor, é se posicionar – de verdade – com atitudes e ações que são voltadas para o bem comum. Você será muito mais feliz, e a sua marca também.
Veja a matéria na Exame. E depois veja o filme da Dove.


