Dá licença, vou falar de ética na política.
24 de maio de 2008 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Carreira |Este blog é um espaço para publicar informações, visões e opiniões acerca das estratégias de comunicação e marketing, mas vou pedir licença para meus parcos e fiéis leitores para publicar sobre a ética na política.
Não sou partidário de nenhum partido político, não faço campanha para ninguém, acompanho algumas notícias sobre Brasília e como cidadão, fico enojado com a “marca” da classe política do Brasil.
Morreu o senador Jefferson Péres e hoje pela manhã fiz uma reflexão sobre a quantidade de matérias que li, de políticos lamentando a morte dele, enaltecendo sua ética e postura. Não que o senador Jefferson Péres não mereça, pelo contrário. Do pouco que acompanho, ou acompanhava, sobre a política, sempre o via envolvido em defesa das boas práticas políticas e pela simples atividade – que deveria ser natural do ser humano político – o bom senso.
Mas ao abrir o jornal hoje, li um artigo falando exatamente sobre isso, ou seja, a estranheza das lamentações sobre a falta que o senador fará ao Brasil. E pulando para o blog “E você com isso?“, encontrei uma gravação de um discurso do senador Jefferson Péres, manifestando seu desalento com a vida pública no nosso país.
De todo o discurso, tiro um tópico muito importante. O senador cita que o Japão e a Coréia não possuem um só barril de petróleo, mas são potências, visto o investimento no capital humano que aqueles países fazem. Coisa que falta no Brasil, principalmente na política, o que acarreta uma falta de bom senso ético.
E infelizmente isso se espalha por vários segmentos de nosso país.
E como um blog é uma mídia social, um canal de disseminação de informação e opinião, segue o discurso do senador logo abaixo, para que você ouça, tire suas conclusões e faça uma reflexão sobre como está seu senso ético, dentro da sua vida, seu grupo social, seu país….



É verdade, que os 2 países citados, não terem petróleo e serem potências mundiais. É de fato interessante, e concordo com o investimento no material humano, que no Brasil, é praticamente inexistente. Ontem, dia 14 de Julho de 2008, um ex-morador de rua, começou o treinamento para escriturário no Banco do Brasil de Recife. Bom. 12 anos jogado na sargeta, e com essa conquista, ele deu um tremendo tapão na cara da politicagem brasileira. Por que? Porque com a vida sub-humana, estudou como pode, e conquistou uma vaga de funcinário público federal.
VEJA VÍDEO NO Jornal Hoje de ontem: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM855071-7823-EXMORADOR+DE+RUA+REALIZA+O+SONHO+DE+ESTUDANTES+DO+RECIFE,00.html
Quer dizer: nosso país não aproveita as grandes mentes, as enormes potencialidades mentais existentes. Isso é um grande prejuízo pra Nação.
A vida e seus “super-valores”
Geraldo Felício da Trindade
O mundo é antigo, mas grande parte do que se vive hoje brotou do passado.No caso do Brasil, uma cultura colonial, escravocrata, marcada pela exploração da natureza e por práticas corruptas. De certa forma, sempre houve uma cultura de manipulação e desrespeito. Qual seria o traço marcante cotidiano brasileiro: crianças sendo mortas, corrupção, balas perdidas, pessoas mendigando, milhões de sonegação… Viver está esquisito? Muitos estão se portando acima do bem e do mal como se fossem donos do mundo.
Dinheiro, poder, beleza, nada disso desabsolutiza a finitude da vida. A ciência nunca vai inventar um elixir que ressuscite o corpo morto. A busca desenfreada pelo dinheiro se revela em atitudes corruptas, antitéticas e de esperteza. Estabelecem-se paralelos entre eu e o outro, em uma crise comparativa do valor pecuniário e posição social. Desejar o que é do outro tornou-se mania, que destila veneno na alma.
A dita inveja, de tão cruel e perigosa aplaude as injustiças em detrimento da justiça, de valorização daqueles que, mesmo com caráter duvidoso chegam aos altos postos.
A pactuação com o jogo sujo, de certa forma vai matando a esperança dos brasileiros. Vive-se à espera de um futuro em meio à deslealdade e valores supérfluos. Faz tempo que os meios de comunicação imitam a realidade, invadem as casas e impõem condutas, pensamentos e valores nem sempre éticos modificando os mais puros desejos e sentimentos. Cada vez mais, a sociedade vai se tornando apaixonada pelo virtual, banal e frívolo.
Aqueles que pautam suas vidas pela virtualidade dos meios de comunicação, não assimilaram que desapontamentos e sofrimentos fazem parte de suas vidas. Imitam de tal forma a ficção, que estão em constante atitude de revanche e vingança quando se sentem desfavorecidos e ameaçados. Cultua-se o rancor entre os adultos e as crianças. A autodefesa é conceito de valor repassado às crianças, confundindo agressividade com instinto de auto-preservação.
Muitos sonham com o amor, com a amizade, com a família e com o afeto, mas o moderníssimo mundo é frio, congelante e distante. Nada é mais cruel do que a convivência desleal e marcada pela desconfiança. Como é bom relaxar e desarmar o coração.Amar aqueles que merecem o amor; amar sem esperar recompensas. Tal atitude perdeu sua presença ativa porque a tendência é relativizar as relações e absolutizar a compra e a venda. Quer-se projetar nas relações o que ocorre na lei de mercado.
As relações intersubjetivas exigem, fundamentalmente, autenticidade. Nesse processo, as manipulações e falsidades não têm lugar.A relação sadia é elixir para alcançar a alegria verdadeira. Além dessa relação distorcida entre os homens, esses acabaram por correr desenfreadamente na busca de um adjetivo, que se transformou de individual para geral. Todos padecem das mesmas escolhas.
Os pais já não têm tempo de educar seus filhos e cobiçam os bens de seus vizinhos e conhecidos. Esquecem-se de que quanto mais pautam suas vidas pelo consumo mais se tornam inseguros. Acreditam ser mais felizes não com o que têm, mas sonham com o que é do outro. Olvidam que o sentido da vida está onde menos se espera. Conquistar, usufruir, tornam-se verbos usados diariamente, gramaticalmente corretos ou não.
Vive-se a era do útil, do apolítico, do apático, do neutro. Nessa rotina do “tô nem aí” ou “pouco importa”, o amor nasce velho, pois o “ficar” e o “pegar” o tornou retrógrado. A amizade verdadeira é desacreditada e a ternura tornou-se banal. É preciso que se busque o belo na vida, resgatá-o, por exemplo, na sabedoria, na música, na arte, na literatura; ou seja, como expressão essencial da vida. Basicamente é repensar a vida e procurar vê-la sob um novo olhar.