Cenas de “vida real” nas mídias digitais e sociais.
12 de abril de 2008 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |Sabe aqueles filmes americanos de investigação, onde o detetive vai juntando o lé com o cré e no final acaba descobrindo uma conspiração que nos faz pensar? Bem, me senti assim….
Cena 01
A Lúcia Freitas publicou um texto falando da possível falta de ética de uma empresa, no uso das mídias sociais. Pelo que “investigaram”, haviam personagens escrevendo sobre a tal empresa, como se fossem efetivamente consumidores. Até onde parece, estes personagens eram na verdade funcionários de uma empresa de comunicação que cuida da conta da tal empresa.
Cena 02
Estou conversando com minha filha de 14 anos, que comenta sobre um tópico em uma comunidade de uma determinada revista adolescente no Orkut, onde questionam a atitude de uma outra menina, sobre uma possível “campanha” que ela iniciou com um blog pessoal, para conseguir que uma banda de música teen tocasse em sua festa de aniversário. Minha filha acha estranha a movimentação de marcas em volta do blog…
Cena 03
Sentado a frente do laptop, tentando acompanhar o #newscamp via Twitter e fuçando a informação que recebi da minha fonte teenager!
Corta!
É óbvio que como profissional de comunicação e com o mínimo de bom senso, preciso olhar com certo critério todas estas informações, pois bem sei o que é lidar com as “vontades” das empresas clientes e o limite tênue entre fazer mercado e manter a cabeça no lugar.
Mas não posso me furtar – não neste momento que uma discussão sobre a chamada ética (ou boas práticas, eu prefiro) no uso das mídias sociais e digitais está ganhando força – de trazer para o debate uma ação de comunicação e marketing. E para isso preciso citar nomes e apontar links…Mas repare bem, estou levantando questão, pois afinal estamos todos aprendendo como usar estes novos canais de comunicação e relacionamento e creio que usando experiências reais, facilita para todos.
Vamos aos fatos…
Uma excelente forma de se relacionar um produto com determinado segmento de público-alvo é efetivamente entender a linguagem deste público e falar exatamente a mesma.
Foi o que fez a marca Seda Teens (produtos de cabelo para adolescentes). Estão patrocinando o sonho de uma menina de 14 anos, de conseguir que a banda NXZero toque em seu aniversário de 15 anos. Podemos raciocinar que a Fernanda (a menina) teve a idéia mirabolante e lançou um blog para efetivamente conseguir o que queria, seu sonho! E o pessoal da Seda, acompanhando de perto a movimentação de seu público-alvo, identificou ali uma oportunidade ímpar: patrocinar o blog da Fernanda e aliar a marca a “força” e a “atitude” de uma menina de 14 anos, correndo atrás de seu sonho! Fantástico! A menina inclusive já deu entrevista para a MTV e tem vídeos publicados no MTV Overdrive.
Pausa (volta a fita e passa de novo em câmera lenta para acompanhar alguns detalhes)
- O primeiro post do blog “Correndo Atrás do Sonho” foi publicado em 03 de março de 2008.
- O domínio .com.br foi registrado em 06 de março de 2008 em nome da Editora Abril
- No blog, a “Fernanda” não diz quando é seu aniversário
- O perfil da “Fernanda” no Orkut, parece que é recente e ela pedia para ser adicionada
- Já tem gente questionando se é verdade ou apenas “marketing”…
Bem, é claro que não dá para afirmar nada, pois eu mesmo posso imaginar que efetivamente uma menina teve a idéia e a Seda (apoiada pela Editora Abril e sua revista Capricho) percebeu a oportunidade e está mesmo patrocinando o blog, inclusive com campanha na Capricho, um anúncio de página dupla. Mas é muito fácil entender o contrário, que a Seda, apoiada pela Editora Abril e alguma agência, traçou esta ação nos mínimos detalhes.
Mas ficam as perguntas para raciocinarmos em conjunto:
Até que ponto uma ação de marketing usando as mídias sociais e digitais pode sugerir uma cena de “vida real”, para depois transformá-la em algo promocional?
Será que não é hora de começarmos a listar efetivamente quais são as melhores práticas de uso das mídias sociais e digitais?



Até que ponto uma ação de marketing usando as mídias sociais e digitais pode sugerir uma cena de “vida real”, para depois transformá-la em algo promocional?
Olha Ricardo, como editora do Desabafo de Mãe estou vivendo, neste instante o enorme interesse de agências em nosso público – e as muitas ações. Todas transparentes, claras e, se tudo der certo, vão permitir que a comunidade seja remunerada minimamente e possa seguir em frente em sua conversa.
Será que não é hora de começarmos a listar efetivamente quais são as melhores práticas de uso das mídias sociais e digitais?
De verdade? Acho códigos lindos no papel – e freqüentemente pisoteados. Em todas as áreas da comunicação. Só funcionam pros advogados – porque entre médicos, por exemplo, prevalece o corporativismo. E como andam provando os juízes em nosso país, há que haver MUITO conhecimento de web e mídia social (confissão? continuo não gostando do nome) para julgar com isenção.
digo mais: vai dar um trabalho ENORME a gente fazer guia de boas práticas, mas ele precisa ser feito já. Vamos ter que inventar uma livre associação e mandar bala. conta comigo, estou dentro, porque ou bem a gente promove esta conversa, ou bem iremos todos juntos pro buraco “não acredite no que está na web”. E neste buraco eu não quero entrar.