Bom Senso 2.0. O que falta no novo mercado web.
8 de novembro de 2007 | Publicado por Ricardo Cabianca | Arquivado em Corporativo |Logo depois de ter publicado minha opinião sobre a possível bolha da nova internet, usando como inspiração um artigo que li no site da Exame, encontro um outro citando o mesmo tema, publicado na Época Negócios, assinado pelo Diego Monteiro, do Via6.
No texto, citando uma possível “histeria” do mercado por conta da valoração do Facebook, avaliado em US$ 15 bilhões, mas que fatura apenas US$ 150 milhões por ano, Diego explica que o espanto do mercado se dá por conta da questão: “como uma empresa que fatura tão pouco pode valer tanto?”.
O autor continua seu raciocínio, apontando o que realmente faltou alguém dizer, ou seja, os valores astronômicos são definidos pelo valor percebido que o mercado tem daquela determinada marca. Ele usa brilhantemente o exemplo do YouTube, por conta da visão futura de que com o fortalecimento da web (equipamentos, velocidade e qualidade de acesso, etc) as pessoas passarão a ver menos TV e mais vídeos on line.
Diego complementa: “Por isso, o YouTube tem esse valor enorme, porque grande parte das receitas hoje das gigantes de mídia tende a ir de alguma maneira para os exibidores de vídeo na web. Isso é valor futuro. Não é faturamento, não é lucro. É valor futuro.”
Aqui eu dou meus five cents no mercado de risco.
Uma coisa é olhar para o futuro e vislumbrar um negócio ou marca capaz de realmente dar resultado. Outra coisa é seguir a manada, achar que está inovando, saindo na frente e depois de um tempo perceber que nada daquilo era sustentável.
Como muitos sabem, foi esta mesma ótica que fez com que centenas de milhares de empresas start-ups, as chamadas pontocom, explodissem com a quebra da Nasdaq no final dos anos 1990.
É claro que no mercado de negócios, as inovações merecem atenção e atraem os investidores de risco. Afinal, o próprio nome já diz: eles arriscam pra valer! Mas sem dúvida nenhuma, arriscam quando tem em mãos, pelo menos, um plano de negócios centrado e coerente.
Em se tratando de web, o problema que eu vejo – bem quieto, no meu humilde escritório – é que as empresas voltadas para este segmento ainda olham para seus sites e não conseguem entender como fazê-los rentáveis. Isso porque pensam somente em clicks, em pageviews….(já vi este filme!)
Não creio que dá para usar como benchmark a Ford ou a Microsoft, como o Diego cita em seu texto, que começaram sem ter a menor idéia de onde viria o resultado, pois eles tinham efetivamente algo a oferecer a um mercado que podia consumir.
O Google, também citado no texto como exemplo, na minha opinião é uma exceção. Você lembra do início do Beto Carrero? Eu era adolescente – se não me engano – e via vinhetas de 10 ou 15 segundos na TV, onde um cara aparecia montado em um cavalo branco, empinando e chicoteando o ar…e uma assinatura “Beeeeeto Carreeeeero!!!!!”.
Pois bem, se não fui enganado quando um profissional de marketing me contou o “causo”, a estratégia foi criar a marca e o personagem e investir nas vinhetas, até que a marca “pegasse”. Depois disso, passou a licenciá-la para ser aplicada a produtos…até chegar ao parque, entre outras coisas.
Eu penso que o Google começou bem, realmente tiveram investidores de risco que vislumbraram mais do que um site de busca, mas estão construindo a marca (lógico, guardada as devidas proporções se comparar com a estratégia do Beto Carrero). Não me assusta se daqui a pouco surgir um Laptop com a marca Google e acesso web via satélite! Vai vender horrores!
Voltando ao assunto!
Respeito a opinião do Diego e seu conhecimento de mercado, mas não creio que seja careta achar que uma empresa não valha o quanto estão oferecendo, se seus executivos não sabem de onde tirar o resultado mesmo tendo em mãos algo inovador. Na verdade, eu acho falta de bom senso apostar muitíssimo alto sem vislumbrar possíveis e concretos resultados.
Agora, se uma empresa nova, que mesmo sem ainda estar funcionando a pleno vapor ou faturando, tem uma equipe “redonda” e sabe bem onde quer chegar sem ter que ficar rebolando junto ao mercado, esta sim merece todo o valor e investimento de risco, até porque, o risco é dar muito certo e todos serem felizes para sempre.
Mais alguns five cents, para aumentar o capital de risco!
Pegando carona no meio blog, somando as aplicações que vislumbramos na web e fechando com ações de relacionamento online e (principalmente) offline, minhas indicações para os participantes do StartupCamp que acontece neste final de semana em São Paulo, de marcas, sites e empresas que tem grande futuro e oportunidades de resultados realmente positivos:
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Olha, fiquei lisonjeada – mais uma vez – com a citação! Muito, muito, muito obrigada mesmo, principalmente por acreditar no potencial do Velocidade. Às vezes bate aquele desânimo e esse incentivo dá a maior força pra que eu continue!
Beijos
Babi, não só acredito como aposto que terá sucesso em breve. Siga em frente e mantenha a aceleração. Só tome cuidado nas curvas…rs
Sei como é o desânimo, mas vc se surpreenderá com os resultados!